O capitão homenageado
Flávio deu a maior honraria da Alerj a Adriano da Nóbrega quando ele estava preso, acusado de homicídio. A mãe e a esposa do miliciano trabalharam no gabinete.
13 fontes: Jornal do Brasil, A Gazeta, Brasil de Fato, CartaCapital, Exame e mais 7 veículos
Situação
Fato documentado
Homenagens e contratações são fatos documentados. Adriano foi absolvido daquele homicídio em 2007 e morreu em 2020, foragido.
O que Flávio diz
Diz que Adriano era acusado injustamente na época, chama o vínculo de ilação e atribui as contratações a Queiroz.
Em 2003, Flávio propôs uma moção de louvor ao então tenente do Bope Adriano da Nóbrega. Em 2005, entregou-lhe a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Alerj — na prisão, onde Adriano estava pela morte de um guardador de carros. Ele foi condenado pelo júri, teve o julgamento anulado e foi absolvido em 2007.
Anos depois, o Ministério Público apontou Adriano como chefe do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel. A esposa dele trabalhou no gabinete de Flávio por cerca de 11 anos; a mãe, por dois anos e meio. As duas saíram em novembro de 2018, um mês depois da eleição de Flávio ao Senado. Segundo o Coaf, a mãe repassou dinheiro a Queiroz.
No mesmo período, o gabinete homenageou Ronald Paulo Alves Pereira, ex-major da PM condenado em 2026 a 56 anos de prisão no caso Marielle. Outra assessora, Val Meliga, que assinava cheques da campanha de Flávio ao Senado em 2018 como tesoureira do PSL-RJ, é irmã de dois PMs presos sob acusação de integrar milícia. Um ex-colega de cela de Adriano afirmou que Flávio o visitou na cadeia mais de uma vez em 2003; Flávio diz que só esteve lá para entregar a medalha. Em 2011, no dia do assassinato da juíza Patrícia Acioli por policiais militares, Flávio escreveu que a forma como ela tratava réus lhe criara inimigos.
Quem aparece
- Adriano Magalhães da NóbregaEx-capitão do Bope; apontado pelo MPRJ como líder de milícia em Rio das Pedras e do 'Escritório do Crime'; morto em fev/2020 na Bahia, em suposto confronto com a PM
- Raimunda Veras MagalhãesMãe de Adriano da Nóbrega; assessora no gabinete até nov/2018
- Danielle Mendonça da Costa da NóbregaEntão esposa de Adriano da Nóbrega; assessora no gabinete até nov/2018
- Fabrício QueirozPM aposentado; assessor e motorista de Flávio na Alerj até out/2018; próximo da família desde os anos 1980
- Ronald Paulo Alves PereiraEx-major da PM; homenageado pelo gabinete de Flávio na Alerj em 2004; condenado pelo STF em fev/2026 a 56 anos no caso Marielle, por intermediar o contato dos mandantes com um executor
- Valdenice de Oliveira Meliga ('Val Meliga')Lotada no gabinete de Flávio na Alerj; tesoureira do PSL-RJ e com procuração para assinar cheques da campanha de 2018; irmã de dois PMs presos sob acusação de integrar milícia
- Alan e Alex Rodrigues OliveiraPoliciais militares, gêmeos, presos na Operação Quarto Elemento (MPRJ) sob acusação de integrar milícia e de extorsão; irmãos de Val Meliga
- Ítalo CibaVereador do Rio e sargento da PM; dividiu cela com Adriano da Nóbrega em 2003
Os registros
Adriano da Nóbrega — detalhes
Fato documentadoMoção de louvor em out/2003. Adriano foi preso em jan/2004 pela morte do guardador de carros Leandro dos Santos Silva. Flávio propôs a Medalha Tiradentes em jun/2005 e a entregou na prisão. Adriano foi condenado a 19 anos em out/2005; o júri foi anulado em 2006 e ele foi absolvido num novo júri em 2007. A esposa ficou no gabinete de set/2007 a nov/2018 (cerca de 11 anos); a mãe, de abr/2016 a nov/2018.
Versão: Em 2019 disse que Adriano 'sofria uma injustiça'; em 2020 escreveu 'Eu estava certo!'
Fabrício Queiroz e Adriano Magalhães da Nóbrega
Fato documentadoQueiroz e Adriano trabalharam juntos no 18º Batalhão da PM (Jacarepaguá). Queiroz admitiu ter indicado a mãe e a esposa de Adriano para o gabinete.
Versão: Queiroz nega envolvimento com milícia e diz não ter sabido de atividade ilícita de Adriano
Flávio Bolsonaro e Raimunda Veras Magalhães
Fato documentadoMãe de Adriano empregada no gabinete com salário de R$ 6.490,35. Seu nome aparece no relatório do Coaf com repasse de R$ 4.600 a Queiroz.
Versão: Flávio atribuiu a contratação a Queiroz e chamou a ligação de 'ilação irresponsável'
Flávio Bolsonaro e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega
Fato documentadoEntão esposa de Adriano empregada no gabinete com salário de R$ 6.490,35.
Versão: Flávio atribuiu a contratação a Queiroz
Flávio Bolsonaro e Adriano Magalhães da Nóbrega
Fato documentadoFlávio propôs moção de louvor a Adriano (out/2003) e lhe concedeu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Alerj (2005). Segundo o MPRJ, Queiroz usou empresas controladas por Adriano para lavar parte dos salários devolvidos.
Versão: Flávio disse ser vítima de campanha difamatória
Flávio Bolsonaro e Ronald Paulo Alves Pereira
Fato documentadoRonald Paulo Alves Pereira, depois preso e apontado como chefe da milícia da Muzema, recebeu do gabinete a mesma comenda dada a Adriano.
Versão: A buscar
Flávio Bolsonaro e Patrícia Acioli
Fato documentadoNo dia do assassinato da juíza, Flávio escreveu no Twitter que ela humilhava réus e que isso teria lhe criado inimigos. Onze PMs foram condenados pelo crime.
Versão: Disse que a 'patrulha do politicamente correto' distorceu suas palavras e manteve o que escreveu
Flávio Bolsonaro e Valdenice de Oliveira Meliga ('Val Meliga')
Fato documentadoVal Meliga trabalhava no gabinete de Flávio na Alerj e, como tesoureira do PSL-RJ, tinha procuração para assinar cheques da campanha dele ao Senado em 2018. Seus irmãos gêmeos, PMs, foram presos na Operação Quarto Elemento sob acusação de integrar milícia. Em 2022 ela foi candidata a deputada estadual pelo PL.
Versão: Flávio chamou a reportagem de ilação irresponsável, disse que ela assinava cheques por ser tesoureira do partido e que os irmãos eram policiais, não milicianos
Valdenice de Oliveira Meliga ('Val Meliga') e Alan e Alex Rodrigues Oliveira
Sob investigaçãoAlan e Alex Rodrigues Oliveira foram presos na Operação Quarto Elemento, do MPRJ, acusados de integrar milícia e de extorsão. São os gêmeos que aparecem numa foto com Jair e Flávio Bolsonaro, segundo o Aos Fatos.
Flávio Bolsonaro e Ítalo Ciba
AlegaçãoÍtalo Ciba, que dividiu cela com Adriano da Nóbrega, disse ao O Globo em 2020 que Flávio visitou os dois na cadeia mais de uma vez em 2003 e que Adriano frequentava o gabinete de Flávio a convite de Queiroz.
Versão: Flávio diz que só visitou Adriano na entrega da Medalha Tiradentes, em 2005, e que não há relação dele ou da família com Adriano
Contraditório
Decisões a favor de Flávio, argumentos da defesa e checagens sobre este caso.
Flávio
ContraditórioAtribui as contratações a Queiroz, chama o vínculo de ilação e diz que, na época das homenagens, Adriano era acusado injustamente e foi absolvido. No Jornal Nacional (ago/2026) o chamou de policial exemplar naquele período.
Aos Fatos
ContraditórioÉ distorcido dizer que os PMs que aparecem numa foto com Jair e Flávio eram suspeitos do caso Marielle.
Fontes deste caso
Reportagens, decisões e documentos usados nesta página. Cada link abre a publicação original.
- Jornal do BrasilQueiroz confirma indicação de mãe e esposa de suspeito de liderar milícia
- A GazetaQueiroz admite indicações para gabinete de Flávio Bolsonaro
- Brasil de FatoFamiliares de suspeito de matar Marielle trabalhavam em gabinete de Flávio Bolsonaro
- CartaCapitalViúva do miliciano Adriano da Nóbrega está prestes a finalizar acordo de delação
- Jornal do BrasilApós comentário sobre juíza, deputado diz sofrer preconceito por ser Bolsonaro (12/08/2011)
- ExameJustiça mantém penas de PMs envolvidos em morte de juíza (04/10/2016)
- Exame / EstadãoEx-PM estava preso quando recebeu homenagem de Flávio Bolsonaro (25/01/2019)
- Bem Paraná / FolhapressEx-policial militar estava preso quando filho de presidente o homenageou (24/01/2019)
- MetrópolesFlávio Bolsonaro diz que Adriano era inocente quando o homenageou (20/02/2020)
- NSC TotalFlávio no Jornal Nacional (28/08/2026)
- Aos FatosPMs em foto com Flávio e Jair Bolsonaro não são os milicianos suspeitos da morte de Marielle (24/01/2019)
- Congresso em FocoIrmã de milicianos que assinava cheques de Flávio Bolsonaro é candidata no Rio (28/07/2022)
- Exame / Estadão ConteúdoFlávio Bolsonaro visitava Adriano na cadeia, diz ex-colega de cela (20/02/2020)
Próximo caso: Imóveis em dinheiro vivo e uma loja de chocolates